Então chegou o dia fatídico. Ele partiria em instantes. Deixaria para trás toda a sua vida sempre intranqüila e nunca parada.
Diferente das tradicionais partidas, ele olhava cada detalhe como que pintasse tudo em sua mente. Ele não tinha a idéia de simplesmente virar as costas e não olhar mais para trás, para o que ficaria. Pesava em seu coração a dor da despedida.
Nunca antes se sentira só como agora. Pensou na vida, toda passada ali naquele quarto, tendo por companhia apenas os livros amados e seus rabiscos sobre as folhas que se encontravam esparramadas. Não se arrependia até o momento, mas pensou em como seria se tivesse feito outra escolha.
Uma lágrima escapou acompanhando esses pensamentos. Gota que o fez sentir pesado o coração velho e solitário.
Mas, era melhor daquela forma. Até enxergava uma certa alegria na cena. Alegria pouca que não existiria se alguém apertasse sua mão naquele momento. Chegara o minuto certo. Respirou fundo. Fez uma prece, que até então, não havia feito na vida. E, fechou os olhos para nunca mais enxergar as cores.
Escrito por Letrero às 13h33
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